Opinião

Yogocão

Na Coreia do Sul inventaram um novo desporto.
Ganha quem conseguir não fazer nada durante mais tempo.

Chama-se Space Out Competition.
Nós achamos que sabemos quem os inspirou. 🐶

Há milhares de anos, antes de existirem tapetes de cortiça, estúdios minimalistas ou playlists de meditação,
já existia uma prática ancestral desenvolvida ao ar livre, junto às primeiras famílias humanas:
o Yogocão.

Uma disciplina instintiva e surpreendentemente avançada,
onde cada posição revela técnica, humor, vínculo
e uma sabedoria corporal que nenhum mestre tenta corrigir.

Não tem mantras, não tem regras, não tem nível iniciante ou avançado —
tem apenas entrega total ao descanso.

Convidamos agora todos a explorar um dos seus pilares mais antigos:
a técnica das patas para cima.

Os praticantes de Yogocão dominam a arte de ficar com as patas ao alto durante longos períodos,
num estado tão profundo que desafia qualquer entendimento humano.
Combina abandono da gravidade, confiança absoluta no ambiente
e uma serenidade que nunca aparece em aulas de stretching.

Para nós, parece um susto.
Para eles, é terça-feira.

Para quem quiser tentar, a tradição descreve assim:
deitar-se sem plano,
deixar o corpo cair onde quiser,
elevar as pernas até onde a dignidade permitir,
manter a posição o máximo possível
e render-se à ideia de que não há ideia — há apenas descanso.

É possível que não resulte.
É possível que doa.
É possível que dure 11 segundos.
Mas tentar faz parte da experiência.

Outras posições clássicas desta escola milenar incluem:
o croissant torcido,
a estrela do norte,
o buda de barriga para cima,
a concha zen,
a montanha da serenidade,
o tapete místico
e a sombra sagrada —
todas praticadas com a mesma calma antiga que atravessa séculos.

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